Cannes, 2008. Workshop da Farfar, um dos últimos do Festival. Eles criaram uma pequena ação / site chamado 10000killers.
E basicamente a proposta era: quando dez mil pessoas entrassem no tal site, uma pedra gigante içada por um guindaste (registrada
ao vivo, streaming, na home do site) cairia sobre a estatueta de um leão de ouro, um dos que eles haviam ganhado em 2007. E a nossa missão, como audiência do workshop, era fazer o máximo de buzz possível naquele curto período para, sadicamente, assistirmos a improvável destruição do leão deles. Demorou 30 minutos para assistirmos ao vídeo da destruição.

A conclusão deles — a partir do experimento mostrado ali naquele dia — virou uma espécie de mantra pra gente desde então: propaganda tradicional se parece com boliche. Você pode estudar os craques do esporte, treinar, malhar para ter o preparo físico ideal, comprar o melhor equipamento, encerar a bola... mas depois que lança-se a bola — idéia materializada em anúncio, filme,
etc — tudo o que dá para fazer é esperar o strike e ficar olhando a rolando. Um hit, um sucesso de vendas. E se preparar para a próxima rodada. A nova propaganda - essa que é provocada diariamente pelos novos hábitos de uso de mídias do consumidor hoje -, ela se parece mais com pinball, com fliperama. O momento do lançamento é quando o jogo começa.

E o objetivo é manter a bola (idéia, materializada em filmes, games, sites, anuncios, ações de PR, mídias sociais, etc) em jogo, pontuando o máximo possível sendo que, no meio de toda aquela confusão, você só tem duas palhetinhas para interagir. Quanto mais tempo a bolinha fica em jogo, maior a chance de sucesso concreto, de resultado. Nosso filme e este manifesto não se opõem à propaganda tradicional. Ao contrário, acreditamos que a propaganda, transformada pelo contexto cada vez mais mutante e em que o controle por parte do consumidor é cada vez maior, está virando um outro jogo.

A nossa crença é na capacidade de nos reinventarmos. Juntos. De nos adaptarmos, para continuarmos relevantes. Com projetos cada vez mais completos, com fichas técnicas idem e com expertises cada vez mais variadas. Porque a gente quer que o nosso mercado incorpore de fato, sem bullshitagem, a tal da inovação, palavra gasta de tão abusada ultimamente. Inovação enfiada no dia-a-dia, não como um hobby, um cargo num organograma ou um departamento isolado dentro de uma empresa. A gente se diverte fazendo essa campanha no meio da correria diária. Meio atrasilda. Assim como a gente se diverte tentando reinventar nosso negócio todo mês. Porque a temporada de boliche acabou. Estamos em plena temporada de pinball...

No caboré 2009, vote no pinball (ou no fliperama se preferir).

:-)